segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um homem sem cabimento

James Joyce, em Paris,
na livraria Shakespeare & Company
Não sou burguês porque não detenho os meios de produção. 
Não sou aristocrata porque não possuo terras, títulos nem brasões. 
Não sou classe média porque não bato panela.
Não sou ator porque nunca protagonizei uma novela.

Não sou intelectual porque não tenho doutoramentos.
Não sou classe trabalhadora porque não tenho emprego.
Não sou pobre porque tenho uma biblioteca.
Não sou miserável porque faço três refeições por dia.
Não sou sem-teto porque minha mulher tem casa própria.
Não sou atleta porque já passei da idade.
Não sou escritor porque nunca publiquei um livro.
Sou apenas um homem sem classificações.
Um homem sem classe. Um desclassificado.