segunda-feira, 18 de maio de 2015

Panela cheia

Foto Isabela Kassow
A hora do Jornal Nacional se tornou hora de bater panela. Adestramento perfeitamente sincronizado. Demonstração prática da “moral de rebanho” denunciada por Nietzsche. Às panelas, juntam-se cornetas. Ação ensurdecedora dos que se recusam a ouvir pois já possuem todas as respostas. Já sabem o que fazer e como fazer, embora nada de efetivo seja feito por eles, que se limitam à indignação. Tempos de ruídos, barulhos confusos, tempos de surdez coletiva. O mais triste é ver crianças nas janelas fazendo coro com os pais. Crianças que já aprendem a não ouvir desde muito cedo. 

Numa sociedade cada vez mais individualista e egocentrada, aprender a ouvir e a enxergar o outro com suas diferenças deveria ser a primeira lição e exemplo dos pais aos seus filhos. Ao contrário, ensina-se a intolerância e a condenação antecipada. Não é de se espantar que neste ambiente monocórdio alguns queiram a volta da ditadura militar.

E por falar em panelas, o Brasil saiu do Mapa Mundial da Fome em 2014, de acordo com o relatório global da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado ano passado em Roma. Enquanto panelas vazias são batidas nas janelas pelo Brasil afora, nas mesas das famílias, as panelas estão cada vez mais cheias. 


É bom lembrar que, até recentemente, uma parte significativa da população brasileira vivia com suas panelas vazias, literalmente. Ou sequer tinham panelas. O Brasil foi destaque no “Relatório de Insegurança Alimentar no Mundo” de 2014 por ter construído uma estratégia de combate à fome e ter reduzido de forma muito expressiva a desnutrição e subalimentação nos últimos anos. Segundo a FAO, contribuíram para este resultado:

- Aumento da oferta de alimentos: em 10 anos, a disponibilidade de calorias para a população cresceu 10%;
- Aumento da renda dos mais pobres com o crescimento real de 71,5% do salário mínimo e geração de 21 milhões de empregos;
- Programa Bolsa Família: 14 milhões de famílias;
- Merenda escolar: 43 milhões de crianças e jovens com refeições;
- Governança, transparência e participação da sociedade, com a recriação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).


Enquanto isso, uma parte do Brasil, entre uma e outra novela, bate panela. 

Fonte: https://www.fao.org.br/