segunda-feira, 18 de maio de 2015

Profecias nem sempre realizadas

Foto Isabela Kassow
O Globo e seus articulistas, liderados por Miriam Leitão, já decretaram a recessão no Brasil em 2015. Por outro lado, o índice Bovespa teve alta de 10% em abril, puxado pela valorização das ações da Petrobrás que subiram 50% nos últimos 30 dias. O mercado financeiro não é um espelho exato da economia real, mas reflete as expectativas em relação a ela. Isso significa que o mercado financeiro já entendeu que as previsões catastróficas da virada do ano não se confirmaram. Os atores do mercado financeiro não jogam para perder. Se o ambiente no mercado financeiro está favorável, é porque o cenário econômico futuro é promissor.

Uma boa maneira de perceber isso é comparar o caderno de economia do Valor Econômico com o do Globo, da Folha e do Estadão. Quando você lê o Globo e seus similares, de fato a impressão é a de que o país está em recessão. Mas quando você lê o Valor e suas análises, as expectativas para o país são bastante otimistas. Isso é facilmente explicável. Embora o Valor seja uma joint venture do Globo com a Folha, o perfil de seus leitores é diferente. O Valor tem um compromisso de apresentar conteúdo técnico e confiável, uma vez que seus leitores são, em sua maioria, profissionais da área econômica e financeira. O Valor sabe que com essa gente não se brinca. Não dá para publicar editoriais econômicos com bravatas e análises simplificadoras, de conteúdo ideológico.

Já o Globo e seus similares não têm nenhum compromisso com a qualidade técnica de suas análises. Até Nelson Motta escreve sobre economia, gestão de ativos e faz análises setoriais. Seus articulistas não possuem perfil técnico. Tampouco seus leitores médios. Trata-se de um perfil difuso, que prefere consumir matérias sensacionalistas, cujos argumentos são emocionais e ideológicos. Quanto mais catastrofista melhor. E isso também vale para o Jornal Nacional e afins.