sábado, 16 de maio de 2015

O verdadeiro luxo

A Revista EXAME, na capa de uma de suas edições, em tom de comemoração, afirma que o brasileiro já não quer mais ter carros populares, celulares simplórios ou eletrodomésticos básicos. A sofisticação, segundo a EXAME, está transformando os hábitos de compra no país. Então vejamos. Como o PIB não está crescendo e, portanto, a renda do brasileiro não está aumentando, esse consumo de bens de luxo só pode estar vindo do excesso de endividamento. O brasileiro que a revista se refere é sobretudo a classe média estourando seus cartões de créditos e cheques especiais, e as classes C e D fazendo sacrifícios para comprar além daquilo que necessita. Isso pode até fazer crescer o PIB e aquecer a economia por um período de tempo, via endividamento das famílias e aumento do consumo. Mas é um crescimento que não se sustenta, nem do ponto de vista econômico-financeiro, nem ambiental. É um caminho sem volta para a falência das famílias e para crises econômicas subsequentes. O novo jeito de consumir ostentado pela capa da EXAME é apenas um novo jeito de trocar cidadania e qualidade de vida por poder de compra artificial. Sofisticação é ter acesso universal à saúde, educação e cultura. Investimentos nessas áreas fazem crescer o PIB, geram empregos e trazem benefícios de longo prazo, econômicos e sociais. Esse é o verdadeiro luxo. O resto, se já não é, acaba virando lixo.