sábado, 16 de maio de 2015

Manifestações seletivas

No mundo, o Brasil é o segundo colocado em sonegação fiscal e o sexagésimo nono em corrupção. As perdas dos cofres públicos com a sonegação são de R$ 500 bilhões anuais, contra R$ 67 bilhões em razão da corrupção. 

Por que ninguém se mobiliza para fazer uma manifestação em repúdio à sonegação fiscal, que é sete vezes maior do que a corrupção no país? Os meios de comunicação parecem não se importar com a sonegação. São parte interessada. 

E a sonegação é uma espécie de corrupção do setor privado. Mas não nos indignamos com esse fato. Só a corrupção do "outro" é digna de indignação. Não nos indignamos com nossos próprios atos, mas apenas com atos alheios. 

Como nos consideramos entes separados do Estado, diante do qual cremos não ter nenhum tipo de responsabilidade ou dever, nossa indignação se atém apenas ao setor público, ainda que sejamos indignos ao sonegar impostos.

Assim, seguimos obedientes aos nossos porta-vozes midiáticos e também nos calamos. O silêncio faz sentido. Afinal uma manifestação contra a sonegação seria um convite à hipocrisia. Uma homenagem que o vício prestaria à virtude. Impossível dar resultado. Quase uma utopia. Ninguém ousaria dar as caras.