quinta-feira, 21 de maio de 2015

Mais uma onda de ódio

Foto Márcio Mercante / Agência O DIA
Para as vítimas de homicídios e suas famílias as estatísticas não têm valor nenhum. Isso é natural e perfeitamente justificável. A violência para a vítima e seus familiares corresponderá sempre a 100%. Ressalvada a dor das famílias e amigos, cuja perda jamais pode ser quantificada, muito menos justificada em números, o fato é que, ao contrário do que tem sido divulgado maciçamente em parte da imprensa e nas redes sociais, os índices de violência no Estado do Rio de Janeiro apresentam o menor número de homicídios desde 1991, segundo dados do Instituto de Segurança Pública – ISP. E esses resultados vêm se repetindo mês a mês, nas séries históricas (ver gráfico abaixo).

A morte do ciclista na Lagoa Rodrigo de Freitas foi um evento trágico, inadmissível, impensável e muito triste. Mas este fato não pode ser justificativa para que agendas extremadas floresçam. É igualmente triste ver reações irracionais que trazem à tona temas como a pena de morte, a redução da maioridade penal, a legalização de porte de armas e muitos outros. A violência no estado do Rio de Janeiro é altíssima, principalmente em áreas menos nobres da cidade.

Grande parte dos homicídios violentos sequer são divulgados pelos jornais, pelo fato de a grande mídia considerar as vítimas descartáveis e irrelevantes, ainda que inocentes. As políticas de segurança pública do estado possuem inúmeras falhas. Há muito que se fazer em prevenção e há um longo caminho a percorrer no sentido de reduzir os fatores causadores da violência urbana. Há, portanto, ações preventivas de curto prazo e ações estruturais de longo prazo, que precisam caminhas juntas.

Mas essa onda de ódio que começa a tomar conta nas redes sociais, levando a reações extremistas e também violentas, está sendo sustentada pela falsa premissa de que as taxas de homicídio nunca foram tão altas no estado. Os indicadores mostram o contrário. E reagir de forma violenta não é, em hipótese alguma, solução. É apenas agravar o problema.



Fonte: http://www.isp.rj.gov.br/Noticias.asp?ident=317