quarta-feira, 27 de maio de 2015

Liberais keynesianos ou keynesianos liberais?

“A prioridade está em outorgar crédito para o gasto sob o patrocínio do governo. Uma preferência estaria em obras que podem amadurecer rapidamente e em grande escala, como a reabilitação da rede ferroviária. Em segundo lugar eu colocaria o crédito barato e abundante, assim como a redução da taxa de juros de longo prazo através da intervenção da Reserva federal." (John Maynard Keynes)

Aqueles que consideram a abordagem liberal, neoliberal ou neoclássica conservadora como a solução para todos os problemas não deveriam protestar ou se indignar contra a falta de investimentos do governo em saúde e educação. Nem da má gestão dos recursos direcionados a essas áreas. Ao agirem assim, em defesa da qualidade do gasto público, os alegados liberais, em suas vertentes mais radicais, discípulos apaixonados de Milton Friedman, estão, na verdade, sendo keynesianos, ainda que não o saibam. 

Para haver coerência, eles deveriam protestar contra todo e qualquer investimento governamental em saúde e educação. Se é para pensar como um liberal clássico e suas variantes, não cabe exigir do Estado nenhuma intervenção nessas áreas, tampouco reivindicar investimentos ou boa gestão. Para o credo liberal, tanto a saúde quanto a educação deveriam ser privatizadas. Integralmente.

O mais coerente seria se esses militantes do conservadorismo econômico clamassem por um Estado que garantisse tão-somente a segurança pública, a defesa externa, os serviços judiciários e a proteção da propriedade privada. Todas as outras áreas teriam de ser deixadas ao sabor do livre mercado. Por esta linha de pensamento, somente um Estado mínimo seria capaz de garantir o perfeito equilíbrio da economia e, consequentemente, a existência de uma sociedade próspera. 

Das cinco, uma:
a) Não leram os liberais clássicos e não sabem o que defendem. 
b) Não leram os keynesianos e não sabem o que refutam. 
c) Leram tudo e não entenderam nada. 
d) Não leram nada e creem que entenderam tudo.
e) n.d.a.

Seria interessante uma pesquisa de campo para rastrear as causas dessa contradição lógica e ideológica. O problema é que, provavelmente, muitos mentiriam nas respostas acerca de suas leituras, o que invalidaria a qualidade da pesquisa. O mistério ficará sempre no ar. Indecifrável.