domingo, 31 de maio de 2015

(Des)utilitarismo econômico

Jeremy Bentham (1748-1832)
"A economia neoclássica só serve para analisar indivíduos solitários que fazem intercâmbio de nozes e frutinhas nas margens da floresta." (Ronald Coase, vencedor do prêmio Nobel de economia de 1992)

Os economistas liberais clássicos, posteriores a Adam Smith, desenvolveram suas teorias em meados do século XIX com base nos princípios utilitaristas de Jeremy Bentham e John Stuart Mill. Tais princípios foram transportados para a teoria econômica pela ideia de "maximização da utilidade total dos indivíduos".

Cada agente tomaria decisões no sentido de aumentar a sua satisfação individual, o que levaria, em última instância, ao bem estar geral da sociedade em termos coletivos. Trata-se, portanto, de um alargamento do conceito da "mão invisível" de Smith. De acordo com os princípios utilitaristas, todos os agentes se beneficiariam ao buscar a maximização de suas utilidades.

A expressão que melhor resume esse pensamento é "a maior felicidade para o maior número de pessoas". Até hoje o núcleo duro das teorias econômicas neoclássicas permanece fiel aos ideais de Smith, Bentham e Mill. Filosoficamente, a ortodoxia econômica baseia-se na ética utilitarista. Em suma, uma ética de resultados. 

Paradoxalmente, as políticas econômicas de inspiração clássica e suas variantes liberais conservadoras nos têm conduzido à crescente concentração da renda e da riqueza. Situação em que a maior felicidade, pelo menos em termos econômicos, destina-se, invariavelmente, ao menor número de pessoas. Ao que parece, os economistas seguidores do utilitarismo conseguiram virá-lo ao avesso.