segunda-feira, 18 de maio de 2015

Da manipulação econômica à desinformação cultural, estamos todos mal servidos pelos grandes jornais e revistas

UM ALERTA AOS LEITORES. A Veja mente e o Globo erra. E vice-versa. Ambos desinformam. Estamos muito mal servidos de informações por partes desses veículos, que dominam o mercado jornalístico. Em várias ocasiões são publicadas notícias e matérias com informações erradas. Trabalho mal feito. Desleixado. Nas seções de cinema, por exemplo, é muito comum ler no Globo traduções mal feitas de críticas de jornais e revistas como o The New York Times, The Guardian, The New Yorker etc. Sempre que leio algum erro grosseiro mando cartas ao jornal. Principalmente em economia. Mas nunca recebo respostas. A única exceção, em que houve uma breve resposta, transcrevo a seguir:

"Aos editores responsáveis,
Meu nome é Ulysses e sou leitor eventual do Globo. Às sexta-feiras, tenho hábito de comprar o jornal para ler o caderno Rio Show. Neste último exemplar, no dia 11 de abril, ao ler a crítica do filme 'Confia em mim', deparei-me com um erro no texto do jornalista Ely Azeredo, que atribui a direção do filme ao João Daniel Tikhomiroff. O filme, na verdade, é dirigido pelo filho do João Daniel, o Michel Tikhomiroff, que está fazendo sua estreia na direção de longas. Se o erro fosse apenas de nome, tudo bem, afinal pode haver uma confusão em razão de o sobrenome ser o mesmo. O problema é que o texto segue com dados da biografia profissional não do filho, Michel, mas do pai, João Daniel, que dirigiu o longa-metragem 'Besouro' e é um conhecido e premiado diretor de publicidade. Considero importante a correção, até porque a crítica se baseia numa suposta habilidade do diretor em filmes publicitários, o que justificaria a fluência da montagem e a edição sem hesitações, segundo palavras do autor do texto. E como sabemos, o diretor apontado no texto não é exatamente o do filme analisado. Trata-se, portanto, de um texto cuja pesquisa me pareceu superficial e apressada. Para os mais desavisados, o texto acaba por ser uma fonte de desinformação. Como leitor, espero um pouco mais de cuidado e esmero nas matérias, principalmente as assinadas, sobretudo de um jornal que praticamente exerce o monopólio da informação jornalística no Rio de Janeiro.
Atenciosamente, Ulysses Ferraz"

Resposta:
"Caro, Ulysses.
Você tem toda razão.
Vamos tirar a informação da crítica que está no site do Rio Show e dar uma correção na revista da semana que vem. Att/ Inês"

Se na área de cultura os erros estão no campo da estética, em economia os erros estão no campo da ética. São erros calculados. Que visam interesses ocultos, já não tão ocultos assim nos últimos tempos. Há muita manipulação e má-fé nos textos econômicos dos grandes jornais. E muita falta de "cultura" nos cadernos de cultura. Todo cuidado é pouco.