quarta-feira, 20 de maio de 2015

Brasil: o que é é. O que não é não é

O Brasil não é o país da impunidade revoltante. O Brasil também não é o país da criminalidade galopante, da inflação descontrolada, do câmbio sobrevalorizado, da economia em colapso, do estado inchado, das empresas obsoletas, dos impostos estratosféricos, das instituições ineficientes, da corrupção generalizada, do desemprego acapachante, da renda per capita humilhante, do carro carroça, da roubalheira epidêmica, da estatização da nação, da privatização como solução, da dívida externa, da fome extrema, da censura prévia, da tortura política, do protecionismo retrógrado e do futebol campeão. Tudo isso negado, trancado, deformado, deturpado e distorcido pelos patriarcas da mídia oligopolista. Cotidianamente.

O Brasil é o país das generalizações, das ideias prontas, do apego aos clichês, da preguiça intelectual, da recusa ao debate, da soberania do senso comum, do desprezo à história, da intolerância localizada, da indignação difusa, do conservadorismo social, do obscurantismo cultural, da segregação racial, da sonegação fiscal, do ódio vazio, da novela e da panela. O Brasil também é o país dos juros altos, dos bancos bilionários, dos magnatas da bala, dos barões do tráfico, dos congressistas parasitas, da violência policial, do descaso ambiental, do neoliberalismo acadêmico, do professor desvalorizado, da elite brutal, da injustiça tributária, do urbanismo predatório, das rodovias, do agronegócio, da concentração da riqueza, das celebridades omissas, dos grandes herdeiros, das favelas esquecidas, da cultura perdida, dos privilégios de classe e do carnaval. Tudo isso muito bem conservado, guardado, camuflado e protegido pelos patriarcas da mídia oligopolista. Cotidianamente.