sábado, 16 de maio de 2015

Ator pescador

Making of de Sem título, um filme de Fabio Menezes, com Ulysses Ferraz

O ator no cinema é um pescador do aqui e agora. Um pescador singular. Não usa nenhum aparato. Nem varas nem redes. Pesca com seu corpo. Inteiro. Pesca a essência de se estar vivo. Diante de um espaço limitado por uma câmera, vive em fragmentos. Desfaz-se em partes, que depois serão montadas e editadas. Seu trabalho consiste em agir. Como um surfista o faz numa onda gigantesca, não há espaço para hesitação. É preciso comprometer-se, ainda que os resultados sejam desconhecidos. É agir ou agir. Até o momento em que o diretor grita “corta!”. Momento em que sons e imagens são transportados para uma obra que já não lhe pertence. Atuar no cinema é desapegar-se da própria imagem em benefício de um filme. Não há certezas. Só resta ao ator confiar na estrutura, na equipe de técnicos e demais artistas envolvidos. Segundo Tarkovski, a tarefa do ator de cinema é viver! E confiar no diretor.