segunda-feira, 18 de maio de 2015

A regra do jogo

"Há uma luta de classes, tudo bem, mas é a minha classe, a classe rica, que está fazendo a guerra e estamos ganhando." (Warren Buffett, megainvestidor)

O capitalismo financeiro é um jogo complexo. Não recompensa a austeridade, embora a exija dos governantes, nem premia o empreendedorismo. Ganha quem sabe jogar o jogo. E quem estabelece as regras desse jogo são os grandes bancos de investimento.

O mercado de capitais é a grande arena do jogo da especulação. Mas há muita manipulação de preços nesse mercado. Vejamos o caso recente envolvendo o balanço da Petrobras, empresa que foi eleita pela grande mídia como bode expiatório e a tragédia da vez. 

Numa terça-feira vários bancos de investimento, tais como Goldman Sachs, Bradesco Investimentos, Deutsche Bank, o Gávea Investimentos do Armínio Fraga, etc. previram um resultado que correspondia à metade do resultado divulgado três dias depois no balanço da empresa. No dia seguinte da divulgação dessas análises, as ações da Petrobras caíram. Depois subiram um pouco, já refletindo a compra daqueles que tinham informações de que essas análises não eram sólidas.

Após a divulgação do balanço na sexta-feira, na bolsa de NY, no "after hours" de Wall Street, as ações subiram imediatamente 4%. Na segunda-feira, no Brasil, essas ações abriram em alta. E depois caíram em seguida, refletindo a venda dos que compraram na baixa e venderam as ações para realizar seus lucros de curtíssimo prazo. Para quem manipula valores expressivos, essas variações correspondem a ganhos altíssimos. E os que compraram no auge da baixa e mantiveram suas posições, os ganhos serão extraordinários.

Enfim, há muitas coisas em jogo, inclusive a privatização da empresa ou, no mínimo, a mudança de regime de partilha da Petrobras no pré-sal. Esse jogo é pesado. Cruel. Essa gente joga sujo para ganhar. E nós ficamos aqui nos apegando as nossas pequenas paixões e indignações, alimentados diariamente pela grande mídia, enquanto os grandes bancos de investimentos e seus magnatas, os queridinhos dos cadernos de economia dos jornalões, George Soros, Warren Buffett, Armínio Fraga, Luiz Carlos Mendonça de Barros,  André Lara Resende Cia, vão ficando mais ricos, a cada segundo. Essa gente conta com cada vez mais defensores de suas ideologias, até por parte daqueles que nada ganham com isso e sequer conhecem as regras desse jogo. Pura dominação simbólica. Isso sim é uma tragédia.