sábado, 16 de maio de 2015

A lógica de todos nós

M. C. Escher - Litogravura, 1942
"O ressentimento ou indignação provém do nosso sentimento de superioridade em relação a quem julgamos inferior." (Aristóteles, Retórica)

Lógica, todos acreditamos possuir. Ninguém se supõe ilógico, confuso ou contraditório. Estética, também acreditamos tê-la. Não nos censuramos por nosso mal gosto, por nossa incapacidade de apreciar valores culturais elevados.

Ética, do mesmo modo, também nos consideramos muito bem servidos dela. Somos todos guardiões da moral e da boa conduta. Ninguém se indignifica com a própria falta de virtude moral. Poucos de nós nos consideraríamos canalhas, corruptos, imorais e insensíveis ao próximo. Isso é fato. No entanto, o que está onipresente, o tempo todo, por toda parte, é justamente a contradição das ideias, a decadência dos valores estéticos e a ruína das virtudes morais. 

Para onde quer que apontemos nossos olhares, nas instituições civis e militares, no mundo corporativo, nos governantes e até no sujeito parado ali na esquina, essa sensação de decadência nos acomete. Ainda assim, nos julgamos melhores que nossos entornos e, portanto, acreditamos não fazer parte de nada do que está aí a assaltar nossos olhos. É um sentimento sincero.

Mas isso por si já não seria uma contradição lógica? Afinal, como poderíamos viver em tanta lama, já que somos tão limpos, tão purificados, tão diferenciados? Talvez o problema esteja na educação. Não na educação técnica, voltada para o mercado de trabalho, mas numa educação anterior, mais básica. Talvez estejamos precisando de mais educação em assuntos como Lógica, Estética, Ética, Epistemologia. Poesia. Música. Dança. Enfim, um pouco mais de filosofia e arte em vez de técnica e eficiência. Assim, talvez possamos enxergar melhor a nós mesmos e, consequentemente, a sociedade em que vivemos. Talvez. Não há garantias.