sábado, 30 de maio de 2015

Brasil, a hora é agora

Migrant Mother, 1936 - Foto Dorothea Lang
A grande imprensa brasileira interpreta uma redução no PIB de 0,2%, no primeiro trimestre, como se a economia do país fosse uma nova versão da Grande Depressão de 1929. 

Por sua vez, a inflação projetada em 6,47% para 2015, está sendo tratada pela mídia como se fosse igual à inflação da década de 1990 no Brasil, quando a média foi de 499,2% ao ano. 

Também está tratando a taxa de desemprego de 6,4% como se fosse a taxa de 12,2%, quando encerrou o ano de 2002. E a taxa básica de juros de 13,15% está sendo tratada como se fosse a taxa de 44,95% praticada em 1999. 

Para os que estão chegando agora, ou já estavam por aqui há mais tempo mas estão com problemas de memória ou simplesmente má-fé, um lembrete: não está bom, poderia estar melhor, mas já esteve muito, muito pior. 

A economia do país não está em colapso. Embora os jornais já o tenham decretado desde de janeiro. Há uma crise sim, mas uma crise gerada muito mais por falta de confiança dos mercados financeiros, puxada pelo ataque diário da grande mídia e por interesse políticos. 

É hora de a imprensa tratar de melhorar a interpretação dos dados disponíveis. Hora de fazer análises isentas e deixar de promover cotidianamente seus interesses mais ocultos. Hora de abordar as questões que realmente são relevantes para o país. Hora de a sociedade civil ser menos alarmista, menos crédula em notícias feitas para causar indignação e vender jornais e revistas. Hora de sairmos todos do imobilismo confortável da indignação moralista. Hora de dar menos confiança aos mercados financeiros, aos especuladores de plantão e confiar mais no país. Em nossas instituições. Na força da nossa geografia. Hora de apostar em nossas empresas e em nossa capacidade de trabalho. Hora de criar, inventar, trabalhar e seguir em frente.