sábado, 16 de maio de 2015

A democracia não pode tolerar extremismos

Manifestação de 15 de março de 2015, Copacabana - Rio de Janeiro
"Devemos lembrar como foram denunciados e massacrados ou ridicularizados os que lutaram pelo fim da escravidão, pelo fim da discriminação racial, pelos direitos de organização dos trabalhadores, pelo voto universal, pelos direitos das mulheres? Hoje é a mesma luta pela redução das desigualdades, pelo fim da destruição do planeta, pela democratização de uma sociedade asfixiada por interesses econômicos. Aqui precisamos de muito bom senso e generosidade. Ou seja, emoções e indignações sim, mas apoiadas na inteligência do que acontece no mundo e visando o interesse maior de todos, e não no interesse particular de defesa dos privilégios." (Ladislau Dowbor)

As recentes manifestações contrárias ao governo federal fazem parte da democracia e, como tal, comportam tanto adesão como discordância. E, justamente por vivermos numa democracia, a adesão ao movimento não pode ser compulsória. É uma escolha democrática e individual de cada cidadão. A recusa em aderir ao movimento é um ato político e democrático assim como sua adesão. Princípio fundamental da democracia: a liberdade de escolha. No entanto, o clima de opinião dominante, presente nas redes sociais e na grande mídia, quer dar a entender que esses movimentos representam a única voz democrática possível. 

O mais grave é que grande parte da imprensa e da sociedade civil considera irrelevante a presença, nessas manifestações, daqueles que reivindicam uma intervenção militar. Relevam o fato como se fosse algo inofensivo e pouco representativo. Ao mitigar ou minimizar atos contrários à democracia, reforça-se a legitimidade de tais grupos. Não há nada mais antidemocrático do que se manifestar em favor de um regime de exceção. E nada mais perigoso do que considerar tal reivindicação como parte da democracia. Um limite claro ao direito de liberdade de expressão surge quando a liberdade expressa por um grupo coloca em risco o próprio direito que a assegura. No mínimo, uma contradição lógica. Uma tolerância indevida ao extremismo. Em última instância, uma ameaça à democracia.